domingo, 18 de outubro de 2015

Procuro-te

(Foto de Serenidade)

Procuro-te!
Procuro-te perdida entre o norte e o sul, sem que o Sul seja sul e o Norte seja norte. 
Sinto-me desnorteada e fico vagueando o olhar entre o ontem e o agora.
Onde estás?
Perdido?! (Eu estou na minha ausência até à tua presença!)
Perdido na ausência do meu calor?! No calor de um dia a dia feroz que consome e congela o coração de quem ama e é amado.
Não um amor de palavras! Um amor como deve ser! O amor com o teu toque, o teu calor, o teu cheiro, o teu sabor... 
Procuro-te!
Encontro-te em mim.
Já sou o teu toque, sou o teu calor, sou o teu cheiro, sou o teu sabor... Sou Eu, contigo em mim...

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Saudade

(Foto de Serenidade)
Apetece-me dizer-te o quanto tenho saudades de ti, dos tempos em que rapidamente as letras se uniam em palavras e estas em frases ou versos. Com, ou sem, nexo aos olhos dos que te liam, eram, para mim uma fonte de tranquilidade e de conforto. Sim, tenho saudades dos tempos em que dormia a escrever-te, a dizer-te o quanto a dor e a alegria, eram importantes para mim e para ti… Lembro dos tempos em que partilhava contigo tudo o que doía, o que me alegrava, o que causava êxtase, os medos, as ansiedades e todos as emoções que um comum mortal exala a cada inspiração, a cada expiração….
Que saudade deste bater de teclas acelerado, a tal ponto que as letras atropelam-se de tanto quererem ser expressas; deste coração que quase sai pela boca pela ânsia de dizer o que vai lá dentro e que tem ficado fechado a sete chaves… sem querer sair? Com medo de sair? Pela incompreensão? Ou pelo medo da constatação???
Que saudades eu tenho deste rosto que sorri, da vida que há em mim e que tanto quer estar em ti!

Será um recomeço? Vamos voltar a enamorarmo-nos? Posso voltar a cativar-te?

terça-feira, 4 de março de 2014

O mundo da Lua


(Foto de Serenidade)
 
Percorro o caminho que me leva a qualquer lugar. Sem que o tenha definido ou escolhido. Sobriamente vagueio por entre as encruzilhadas da vida. Por vezes, percorro caminhos alegres e seguros, outros há que são escorregadios e escuros! Nestes, resta-me a luz da Lua que me ilumina. Resta-me a companheira, a outra face da vida, do Sol, a minha vida! Quando a luz do astro-rei me ilumina, por vezes, vejo-me imbuída de uma luz prateada, sempre que começo a vaguear entre os pensamentos que se apoderam do meu corpo e mente e os sonhos sonhados com coração. Neste instante, vivo a vida literalmente alunada em pensamentos cheios de imagens e cores resplandecentes e vigorosas como se estivesse, o sonho, a viver. Vivo “no mundo da lua”, no mundo onde os sonhos se concretizam mesmo que na realidade do dia-a-dia nada exista para além da mesmice monocórdica de uma vida robotizada.
Nos meus sonhos não há aspas, nem reticências. Não há pontos finais nem interrogações. No meu mundo, no instante em que estou alunada em mim sem que o meu corpo consiga concretizar o que estou a viver, tudo é um continuum de instantes vividos intensamente, nos quais não há lugar para o ontem e muito menos para o amanhã. A minha morada, neste instante, nada se aparenta com o mundo da Lua, mesmo que nele esteja a viver. O prateado metamorfoseou-se um belíssimo arco-íris. Os altos e baixos, das crateras de impacto, são uma melodia harmoniosa sem interrupções. Os mares lunares encheram-se com a essência da vida, permitindo que, na “minha” Lua, houvesse vida. Uma vida concebida com muito amor e paz no coração. Uma vida que preencheu a vida de outras vidas. Sim, imaginária, ainda, mas vivida no meu mundo, no mundo da lua, a minha vida a par da vida mecanizada que a mente e o mundo humano me imprime.
Pub. em "O mundo da Lua" - Lua de Marfim Editora

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Benção

 
(Foto de Serenidade)
 
Inventei uma história em que fazias parte de mim, agora! Não amanhã, não ontem! Agora! Neste instante em que o amor percorre cada célula que me constrói e te constrói! Não! Não inventei! Sim, estiveste aqui! Como a água que me compõe e que não deixa que meu corpo mirre! Partilhamos momentos! Sim, posso dizer que partilhamos momentos. A dois e a três! Amei-te desde sempre. Amamos-te desde o primeiro momento. Amo-te, mesmo já cá não estejas. Irás voltar! Sim, eu sei que sim. Aguardas o momento certo do regresso. Retornarás para ficares. Foi bom sentir-te. Aqui. Em mim! Obrigada por me teres concedido essa oportunidade. Obrigada por me teres vindo tranquilizar. Sussurraste-me “tem calma, eu irei, mas… ainda não estou em condições para aportar, ainda não estamos, os três”… as condições não seriam apropriadas? Minha culpa? Da densidade que afeta todo o planeta? Que importa! Já cá estiveste! Vieste dizer-me “olá”! Talvez um “até já”!
 
"A alegria evita mil males e prolonga a vida."
 

domingo, 11 de agosto de 2013

não procures...está em ti!


(Foto de Serenidade)

Tudo o que está em ti anda tão extenuado que, por vezes, penso que a chuva que cai para além do vidro da janela, não é mais que as lágrimas aprisionadas loucas e enfurecidas por não as deixares passar a porta dos teus olhos e deixa-las rolar, num rio ora sereno e calmo ora agitado e compulsivo.

Permaneces na busca incessante do que, julgas, acalmar o teu coração e, cada vez mais, o intento foge. E a cada aproximação, há uma desilusão, que aumenta de cada vez que o desencanto surge.

Há momentos que te sinto um barco sem rumo, velejando ao sabor da corrente que, na maior parte das vezes é forte e perturbadora. Vejo-te fazer o que não queres; orientares as tuas acções pelo que vai contra a tua salutar ambição.

Sinto-te a diminuir de dia para dia. A força e vontade de viver resvalar e a aumentar a apatia.

Dizes: “não tenho motivo para além do amor dado, nem sempre, na mesma medida, retomado”. Referes que te cansas de dar, de fazer, de viver e a vida, tudo o que se encontra em volta, pouco te dá em troca! A maior parte dos teus dias são percorridos valorizando o pouco retribuído, e agora! Agora, dizes-te cansado de viver! Um destes dias vi-te observares o vizinho que passeava o seu animal de estimação e o teu pensamento logo resvalou para o quanto desejas ter um, o quanto amor lhe davas com a certeza absoluta de que seria retribuído na mesma medida, aliás que tinhas a certeza de que seria retribuído a dobrar… não o duvido, mas será que não é uma forma de buscares fora de ti, aquilo que deverias encontrar em ti? Tanto amor para dar, mas tanto medo de ser subaproveitado, de ser diminuído, de ser denegrido em atitudes desleais. Ai esse medo que te assola. A deslealdade que poderá espreitar em cada esquina consome-te.

Por favor, “alma de Deus” acredita que tudo tens em ti. Tudo o que almejas para a tua vida. E nada te será desleal a não ser a tua própria deslealdade
Serenidade

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Poema da Paz

(Foto de Serenidade)


O dia mais belo? Hoje.
A coisa mais fácil? Equivocar-se.
O obstáculo maior? O medo.
O erro maior? Abandonar-se.

A raiz de todos os males? O egoísmo.
A distracção mais bela? O trabalho.
A pior derrota? O desalento.
Os melhores professores? As crianças.

A primeira necessidade? Comunicar-se.
O que mais faz feliz? Ser útil aos demais.
O mistério maior? A morte.
O pior defeito? O mau humor.

A pessoa mais perigosa? A mentirosa.
O sentimento pior? O rancor.
O presente mais belo? O perdão.
O mais imprescindível? O lar.

A estrada mais rápida? O caminho correcto.
A sensação mais grata? A paz interior.
O resguardo mais eficaz? O sorriso.
O melhor remédio? O optimismo.

A maior satisfação? O dever cumprido.
A força mais potente do mundo? A fé.
As pessoas mais necessárias? Os pais.
A coisa mais bela de todas? O amor.


Autoria: Madre Teresa de Calcutá

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Primavera


(Foto de Serenidade)

E, rapidamente, há uma dor que surge sem se querer, sem razão, ou com a sua própria razão! O rio que fluía alegremente, num dia quente de uma primavera conflituosa. Tão estranha quanto quem escreve que ela é conflituosa, ou aparentemente o é! Ou será que a primavera se resume apenas a um espaço intercalado entre o equinócio de Março e o solstício de Junho. Intervalo de tempo onde a vida se sente aparentemente amena e tudo começa a brotar. Brotam flores mas também florescem dores, umas escondidas outras ocultas pelo pesado fardo do inverno da vida.  Outras há, que continuam adormecidas ou até jazem falecidas pelo atroz frio sentido.
Ela floresceu, alimentada pelo calor de um atípico dia de primavera. Soltou-se na brisa da noite, coberta pelo manto de um luar inexistente. Derrubou a armadura que há muito encetou o seu entorpecimento e desatou a aguilhoar sem dó nem piedade. Minou o sorriso, enublou o olhar, entorpeceu o sentir. O passado, em escassos segundos, volta ao presente. Raios! Não te quero, passado! Quero o presente que é o mais maravilhoso presente que, só alguém com muito amor me poderia dar! Vai-te dor passada, vai-te! Sinto-te tão presente, às vezes… escassas as vezes, mas ainda voltas de quando em vez.
Vem primavera, vem serena, faz florescer a virtude de um olhar que se fixa no presente, de uma alma limpa do frio inverno, que voa em busca da realização dos seus sonhos.
E, rapidamente, adormecerei, no Teu regaço. Abraçada à mais doce primavera que alguma vez almejei.

"O amor é grande e cabe nesta janela sobre o mar. O mar é grande e cabe na cama e no colchão de amar. O amor é grande e cabe no breve espaço de beijar."
Carlos Drummond de Andrade

quinta-feira, 19 de abril de 2012

minh'alma



(Foto de Serenidade)






Sinto-me presa a este assento. Não consigo discernir o que se passa, nem mexendo e remexendo no baú das minhas memórias. Sinto-me estática, movendo, qual autómato, na vida que se dá a viver. Sinto-me presa ao automatismo robótico do dia-a-dia e… não tenho ido ao teu encontro mas… também não sinto vontade de me deslocar até ti. Sinto minh’alma presa neste cárcere e já não a conheço! Não consigo identificar o que quer, o que a faz feliz. Anda envolvida num fumo de lamentações com fundamento, mas sem um alicerce que me possa impelir à prosperidade.
Sinto-me presa! Não, não me sinto presa! Sinto-me envolvida em neblina. Uma neblina clara e opaca, que me impele a caminhar nos percursos que quero caminhar, no entanto, com a sensação constante de queda no abismo. Onde andas minh’alma? Diz-me o motivo da tua ausência! Manifesta-te para que eu percorra este caminho luzidio sem a opacidade que agora vislumbro. Arremessa a corda para que vá até ti. Busca-me neste labirinto de lamentações que o meu coração anda envolvido. Impulsiona-me a fazer o que tem de ser feito para que a tua presença se manifeste acerrimamente e não descure mais de te cuidar.
Vem, manifesta-te, para que eu deixe de ser esta marioneta que agora se apresenta, que me desgasta. Sei que me amas, como eu te amo, vem.




terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Pedaços de chão

(Foto de Serenidade)



Percorro cada pedaço de chão na procura do teu abraço. Fico feliz por sentir que posso contar contigo, na alegria e na tristeza. Sei que independentemente do meu estado permaneces ao meu lado de forma imparcial. Não preciso de te fazer rir ou de te dar o que gostarias de receber para me aceitares ao teu lado e me acarinhares de igual modo. Há dias, como hoje, que a dor aflora sem saber de onde, muito menos o motivo! Ou, se o motivo sei, não o deveria sentir! Sei-o! Sinto esta ambivalência em mim e sei que me achas tola… Mesmo assim sei que me amparas nos teus braços como se de uma ave sem ninho se tratasse. E, efectivamente, é assim que me sinto, às vezes! Uma ave que não sabe para onde voar, sem ninho para ser recebida calorosamente, sem um pedaço de chão onde poisar, sem um porto de abrigo consistente. Há uma Fénix aprisionada que não sabe como se soltar! Tu sabes que sou uma bonita ave, forte, perspicaz e astuta de uma beleza rara aos olhos de muitos, mas não tão rara assim para os que conseguem ver para além do que a maior parte do comum mortal consegue percepcionar. O que precisará a Fénix para se soltar? Para exteriorizar a sua extraordinária beleza e, com isso, voar livremente nos caminhos que a levam ao paraíso. Enquanto não há Fénix existes tu, que me acolhes em teu regaço sem julgamento. Não apontas o dedo para as minhas ânsias, nem minhas angústias, percebes que tudo é o que é! O que sinto nada é mais que a minha realidade, percepcionada pelo que sou, pela ilusão do que sou e do que sinto! Porque o que sinto é ilusão e sei-o, como sei que é isso que me dizes sempre que me aconchegas perante a minha ausência de fôlego, quando banhada na água salgada que salta da fonte sem que eu tenha dado permissão! Na procura do teu abraço, cada pedaço de chão que piso, está escorregadio e, deparo-me de frente com a queda no abismo ilusório da solidão, rejeição, desorientação e desamor! Careço do meu/teu abraço, da tua mão, para que as veredas passem a ser luminosas e os trilhos mais fáceis de trilhar e dessa forma construir um ninho sólido e luminoso onde seja bom estar e permanecer.




"Quando alguém encontra o caminho, não pode ter medo. Precisa de ter coragem suficiente para dar passos errados. As decepções, as derrotas, o desânimo, são ferramentas que Deus utiliza para mostrar a estrada."


in Brida de Paulo Coelho

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

a tua melodia

(Foto de Serenidade)





O teu som contagioso e ritmado é melodia que me deixa embriagada de serenidade, no entanto, há outras que te substituem e me acariciam a alma. Tem aportado no meu ouvido, como um pássaro em seu ninho, uma vibração sonora recebida no meu coração como uma belíssima aurora. Tem cores azuladas e rosadas, como se de um arco-íris se tratasse. Faz vibrar o coração, como no princípio de uma paixão. Lembraste do dia em que, sem te ver, senti-te em mim? Fizeste explodir uma onde de uma energia tão forte como se o meu corpo fosse um bonito balão festivo a rebentar de tanta alegria. Recordas-te dos momentos em que, ao teu lado, passeie de mão dada com o amor, com um sorriso de paixão. Tal como a tua melodia serena ou agreste, de ritmo sereno ou em compassado apressado, a que te falo, que tem feito companhia, em todos os momentos incluindo os de tola agonia, permite-me viajar até ao mais ínfimo pormenor do meu sentir. Dissecar a dor e a alegria e retirar de ambas o que tem mais valor. Deixa a descoberto o que está entranhado nas profundezas de mim, e que há algum tempo não deixo sair. O que não tem visto a luz do dia, seja uma dor temida ou a alegria de me sentir viva. Este som contagioso deixa-me logo em alvoroço. Desde o batimento ritmado do teu coração à melodia embriagante que entra em mim e me faz vibrar de emoção.






"A beleza pode abrir portas, mas somente a virtude entra."

Provérbio Inglês

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Luz



(Foto de Serenidade)






Há uma luz que me guia até ti. O luar, nos meus sonhos, é o conselheiro do percurso pelo qual poderei direccionar os meus olhos e a minha vontade me leve até ao teu lado. Sou guiada, qual autómato, pelo fio de luz prateado que me acalenta a pele no frio da noite. Encantada pela penumbra do reflexo do teu olhar (no meu) dou por mim desejando entrar nos teus lençóis e banhar-me no teu leito pedindo-te, encarecidamente, que me libertes das amarras que me enclausuram e me diminuem. Por vezes, este prateado lançado na tela do meu olhar, é ilusório! Precisa de ser caiado de doirado. Montar num cavalo alado e deslizar até ti, verificando a veracidade da tua existência. Aí! Onde delicias todos com a tua palete colorida e com o teu sorriso de moço arisco!
Há uma palavra, que me impele a pedir que te aproximes, que venhas até mim. Uma carícia pede para ser manifestada. Uma luz a querer manifestar-se. O amor que nos une. A ternura que necessita ser manifestada. O desejo de, ao teu lado, ser amada.
Só tu, poderás abrir a cortina do meu olhar, limpar os cantos preenchidos de alguma mágoa e abraçar-me livre do que foi e do que poderá vir!
Que a luz que soltas transcenda a distância que nos separa!






"Tudo o que sabemos do amor, é que o amor é tudo que existe."



Emily Dickinson

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Procura



(Foto de Serenidade)






Não tão distante no tempo quanto outrora, percorri o espaço físico que me separa de ti. Óbvio que se trata apenas de matéria, tendo em conta a tua permanência neste cárcere humilde, sereno, em busca, sempre em busca. Desde que me conheço como gente, capaz de tomar as suas decisões de forma consciente ou não, ando à procura! Sim, existiram intervalos de tempo, em que as deliberações eram tomadas sem qualquer consciência do que fazia e logo de seguida, caia no abismo das emoções onde o fundo não existia e a ausência de luz permanecia durante um tempo que parecia infindável!
Desta vez, consciente da minha vontade, sem vontade de estagnar, permaneci ao teu lado, os metros que nos separavam não se faziam sentir dada a fusão que pela curta distância ocorria entre nós! Não precisei tocar-te para sentir-te em mim! Tão pouco ousaste tocar o mais ínfimo pedaço de meu corpo. Estivemos em silêncio e no silêncio olhamo-nos, como naquele dia em que não precisei de saber que ali estavas para sentir um orgasmo de energia. Uma energia sem precedentes fundiu-se com a minha, foi nesse dia que me fizeste sentir tua, que te pertenço e que somos um. O Sol a terminar o seu dia de labuta, por estes lados, percorria parte do espaço, ao alcance do meu olhar, que o levava para outras paragens! O rosado misturava-se com o laranja e o teu azul! Ah o teu azul! O teu azul olhar mesclava-se com um esverdeado reluzente. Estive ao teu lado, estive em ti e na distância continuo a recordar a nossa afinidade, a nossa fusão tão particular que me acompanha na procura dessa força, no meu dia-a-dia. A contínua procura…



"O amor é a força mais subtil do mundo."

Mahatma Gandhi

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

O brilho de meus olhos



(Foto de Serenidade)






Este ano, sinto que, estive distante de ti. Perdi-me nas encruzilhadas e nenhuma coincidência me levou até ti. Sinto dor, uma dor mais profunda que uma simples ferida aberta, por me perder sem querer me encontrar! Porque terei eu deixado de te procurar? De fazer aquilo que me faz tão feliz, que me faz sentir tão plena. Recordo os momentos de tristeza que me impeliram até ti ou aqueles em que, simplesmente, pretendia recarregar energias para mais uma semana ou semanas longe de ti. O teu amor perante a minha desordem, a tua complacência perante a mente tão activa sem um fio condutor a seguir, fora a minha constante busca em ti. Mas, este ano, estive tão distante! Porque será que te ignorei, que fugi! Sim, literalmente, fugi de ti!
Fiz uma pausa na busca de ti em mim. Esqueci que procurar-te era encontrar-me. Mas, quem sou? Quem fui enquanto te tinha como companhia? Quem sou na tua distância? Na tua presença sou água que se deixa levar pela corrente das emoções! Na tua ausência sou montanha que se deixa levar pela razão! Sou rocha que se coíbe de expandir ou expressar, água que nas agruras se permite prorrogar. Neste lado, montanhoso, também existem verdes prados, bonitos campos de margaridas, que um dia floriram! Há malmequeres e bem-me-queres, cor do Sol que irradia e me ilumina nos dias de claridade e de escuridão. Neste terreno fértil, onde me encontro, há segurança e abundância, de emoções que correm em desalinho, embatendo no meu ninho, no meu lado esquerdo acolhido pelo amor, recebido com tamanho calor.
Vejo-te no retrato do meu olhar. Sinto-te ao meu lado aconchegado.
Será mesmo que ando a fugir de ti? Não acredito que estarei a fugir de ti, nem de mim! Não ando distraída, nem perdida. Tu estás em mim como nunca! Simplesmente, não preciso de estar fisicamente, ao teu lado, para me sentir preenchida. O teu lugar não foi ocupado. Estás entranhado em mim. Eu apenas esqueci de expressar uma parte de ti no meu dia-a-dia. Mas há uma recordação implícita que jaz e causa uma sensação continuada de ausência de saciedade. A procura de ti continua, apenas não a teu lado. Tu estás nas entranhas da minh’alma. A procura, agora, continua pelas terras por onde meus passos me levam e onde o meu coração continua a semear as sementes férteis e fortes que um dia, num qualquer alvorecer, irá originar uma bonita colheita. Uma bonita flor irá ver o Sol raiar e os meus olhos brilhar!




Que 2012 nos permita colher os frutos da prosperidade que andamos a semear.



sábado, 24 de dezembro de 2011

No entardecer do meu sono

(Foto de Serenidade)



Estiveste ao meu lado no entardecer do meu sono. Banhaste com a tua água salgada o meu trono. Subiste como um rei e beijaste o rosto da tua rainha, salpicando-o com as tuas carícias. Eu, sem medo, mergulhei no teu abraço, fiz do teu corpo o meu espaço. Não tenho, não tive medo de me entregar, sei que me proteges mesmo que entre a serra e o mar exista uma distância a percorrer, por vezes demasiadamente longínqua, outras sem separação, dois seres errantes, contíguos sem se aperceberem.
Há uma tristeza implícita em cada letra que escrevo, uma insatisfação que procura satisfação sem perceber o que está ausente. Uma procura constante do que sou, analiso no teu olhar, no teu abraço e no sussurro abençoado que me envias com o teu encanto.
Estás no meu sonho de menina, viver ao teu lado, colhendo alegria. Sorrir com e como uma criança, sem medo de perder a esperança, de um dia não sentir mais a separação, nem a dualidade em constante renovação; de não sentir medo da partida e da chegada, apenas experimentar que tudo que nos é dado, é abençoado.
Estiveste em mim no alvorecer dos meus sonhos, estás no desejos durante o meu adormecer e no meu rosto risonho. Permaneço estática na tua busca (será na minha?). Porque terei medo? Porque será que o medo, do medo sentir, é mais forte que a tua limpidez? Retira o manto de temor que me recobre, procura-me, já que há uma pedra em meu sapato que teima em não me largar. Que me impede de deixar o pavor do retiro e ir, para que o amor me continue a preencher por inteiro. O teu/meu amor.



"Quando a nossa intenção é transferir energia amorosa não existe possibilidade de falharmos..."

Leonard Laskow

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Solidão



(Foto de Serenidade)






Quero segredar-te o quanto tem doído estar longe de ti, não ir ao teu encontro, estar longe mas sempre contigo no meu pensamento. Dói o medo de estar ao teu lado, só. Dói estar longe e sentir-me, mesmo assim, só.
Tenho vontade de segredar-te o que tem acontecido, o que me tem alegrado, o que me tem doído. O quanto me sinto magoada com a vida, o quanto me sinto feliz com o fado escolhido. Que há momentos de desilusão profunda de quem só esperava alegrias. Que há momentos de deslumbramento por bem-aventuranças não esperadas.
Neste instante há uma coroa de espinhos em volta de meu lado esquerdo, uma corda que estrangula o ar que respiro que faz doer as cordas vocais de minha laringe. Não saem palavras, nem sequer a atropelo, não sai água salgada de tristeza nem deslumbramento.
Há um retiro implícito em cada acto, no meio de uma tentativa de inclusão forçada a cada facto.
Procuro-te dentro de mim. Preciso banhar-me no teu/meu mar salgado, deixar que toda a mágoa me envolva e liberte da coroa de espinhos que estilhaça o coração. Poderás cristalizar no meu coração a dor? A ferida do afecto ridiculizado e do coração magoado?!
Tenho tudo ao meu alcance, para ir ao teu encontro, mas não me sinto capaz de suportar a solidão de estar só!






"Toda mulher é muito solitária. O importante é encontrar um desvio na trilha da solidão para não entristecer na vida."



(Lilia Cabral)

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Reencontro



(Foto de Serenidade)




Estive contigo, mas antes de até ti chegar, outro presente me foi concedido. Foi permitido que três almas amigas se juntassem novamente. Nessa tarde a dança das palavras percorreu os minutos num tempo em que o tempo percorrido era ilusão. As palavras, partidas e repartidas foram as necessárias ao bom entendimento mútuo. Não foram precisas nem mais, nem menos do que aquelas que estavam a ser ditas. A nossa alma entendeu-as na perfeição mesmo que, por vezes, aparentemente, não fizessem sentido.
Logo de seguida mais um bálsamo para a minh’alma foi-me anuído, fui até ti. Depois de uma manha e tarde tristonha, as nuvens foram varridas dum céu cinzento. O Sol brilhava e uma maresia suave acariciava o meu rosto, sentido! Quando os meus pés tocaram o areal que me separava de ti, senti necessidade de enterra-los bem fundo, apetecia-me afundar-me, enraizar-me, bem junto de ti.
Senti o teu corpo nos meus pés e todas as minhas células exultaram de alegria, limpei a alma e a dor incontida de tanto tempo afastada de ti, de tão pouco tempo ter passado contigo. Senti-me chorar! Não que a minha água salgada se tenha mesclado com a tua mas, era como se tal estivesse a acontecer. Acariciaste-me os pés. Acariciaste-me a alma e todo o meu corpo exultou de alegria.




"Às vezes a àgua salgada que percorre todos os recantos da alma, assim como a água doce que limpa o corpo enegrecido, são o bálsamo necessário para serenar."

sábado, 30 de julho de 2011

Criatividade manifesta

(Foto de Serenidade)




Hoje, uma parte de ti (em mim) tem percorrido as subtis montanhas do meu rosto desaguando no vale sequioso dos meus lábios. Não tenho percorrido os caminhos que me levam até ti, mas penso que me queres por perto, não fosse a tua presença nas janelas da minh’alma. Não entendes que me tens, que sou una contigo, ontem, hoje, eternamente! Há ocasiões que me observas e, eu com o olhar perdido no teu horizonte. Outras há, que enxaguas o manto cinzento que me cobre, tornando-o um pouco mais reluzente. Há momentos de ternura manifesta ou de agitada controvérsia.
Hoje, mais que ontem, a controvérsia está implementada no meu corpo de mulher. Tenho-me mantido firme, como um guerreiro que enfrenta a corrente do rio que flui em sobressalto. Cuido do canastro que alberga a minh’alma, sem procurar pedir-lhe mais do que o simples fluir, espontaneamente, sem sobressaltos ou sem grandes expressões de criatividade. A mesma que é manifestada em cada segundo da tua existência. A mesma que pode ser observada em cada pormenor, aparentemente insignificante, da tua subtil natureza.
Hoje constato que nunca te comportas conforme o meu querer. Quando espero que estejas calmo, aporto no teu cais, e estás incrivelmente agitado. Outras há que, preciso da tua força e, manifestas uma serenidade pesarosa. Será por isso que não vou até ti? Será por isso que não tenho desejado o nosso encontro?
Hoje mais que nenhum outro dia sinto o meu corpo, tal como o teu imenso físico em dias tempestuosos, com uma necessidade de criar, manifestar o dom criativo que abrigo ou que almejo apreciar. Que todas as minhas moléculas se associem em gotículas de ternura, formando células de amor, num seio aquietado com sabor a flor.
Já que não caminho na tua direcção. Aporta no meu cais. Permite a manifestação da criatividade do meu corpo, como mulher.




"A mais fiel de todas as companheiras da alma é a esperança."

Pe. António Vieira


sábado, 9 de julho de 2011

Nostalgia

(Foto de Serenidade)


Há uma nostalgia que me preenche. Uma dor repleta de alegria! O gáudio de conhecer o som da tua voz, a tristeza por não a ouvir. A dor por não saber dos teus sentires. A alegria por saber que ainda ris!
Percorro os vales tumultuosos que nos unem. Terra e mar separam as gentes, corações e imensas contradições.
Hoje ouvi o uivo do teu grito mudo, do teu pranto e da tua dor. Senti que a alegria do sentido de tudo existe no teu coração. Percebi que, consciente de ti, percorres os minutos da dor, como se fosse o toque suave do amor.
Há uma imensa nostalgia que me preenche! Porque quererás manter no silêncio o grito da tua dor e do teu imenso amor?! Talvez as águas pantanosas que nos cingem não permitam o livre fluir dos fluidos que inundam os corpos nus que nos acercam.
Ontem procurei conhecer o teu sentir, saber da tua dor, da tua paz e do teu amor.
Não quiseste perceber que, na vida, o Todo se entrelaça na amálgama de emoções que, de quando em vez, ressurgem pela ténue penumbra que entrelaça os nossos corpos, tão diferentes, tão ausentes.
Há uma imensa alegria que me preenche. Sei que estarás comigo, sempre que meu pensamento viajar até ti. No meu sorriso está reflexo da tua existência em mim.



"Se algum dia sentires a minha falta, olha para o horizonte e toda a vez que uma brisa leve tocar seu rosto, lembre-se: sou eu que te beijo em silêncio."

(Diego Vitoriano)


sexta-feira, 27 de maio de 2011

Movimento



(Foto de Serenidade)




Permaneci estática na agitada movimentação do dia-a-dia. Considero que a impermanência é uma constante e como tal a paragem ilusória aos olhos e sentires de quem observa a quietude dos movimentos agitados não observáveis.
Olho-te e vislumbro o quão agri-doce é o movimento voluptuoso da tua magnificência. Aqui mesmo ao meu lado pareces agitado, e lá, mais longe transmites uma serenidade desmesurada. Por isso, o meu corpo quer ir até ti, há uma sinergia de energias entre os nossos corpos (ou será das nossas essências?!). O perceptível de ser observável por todos os que olham de soslaio ou analiticamente, é de uma calma que dá gosto de sentir, por isso tantos gostarem de estar ao pé de mim. Mas bem lá no fundo, uma agitação é constante em cada segundo. Ora porque os medos afloram, sem sentido mas com o sentido que minha mente lhes dá e constantemente os atraiçoa, porque já deveriam estar habituados que a mente constantemente mente. Ora porque os sonhos a concretizar demoram a chegar. Não pela inacção mas, talvez, porque a conjuntura ainda não o propiciou. Observa esta serena agitação, que me corrói na emoção. Repara como somos idênticos: agitados e simultaneamente de uma serenidade imensa.
Tenho permanecido estática…deves sentir a minha falta. Eu sinto a tua! Não tenho conseguido ir até ti, não falta tempo, mas sim movimento!





"Feliz aquele que transmite o que sabe e aprende o que ensina!"
Cora Coralina